Energia solar no Parque Flamengo em Guarulhos, o desafio do telhado voltado para o sul resolvido com tecnologia bifacial
O Parque Flamengo, o charme de Guarulhos e o telhado que parecia inviável
Guarulhos tem uma identidade própria que muita gente de fora não percebe logo de cara. A segunda maior cidade do Estado de São Paulo não é apenas o município que abriga o aeroporto internacional mais movimentado do hemisfério sul. É também uma cidade de bairros consolidados, clima agradável de altitude, feiras de fim de semana animadas e uma gastronomia de raiz nordestina e nordeste-paulistana que faz qualquer passeio virar um programa completo. O Parque Flamengo, em especial, carrega esse espírito de bairro residencial tranquilo, onde as crianças ainda brincam na calçada à tarde e os vizinhos se conhecem de nome.
Mas morar bem no interior da Grande São Paulo tem o seu custo. Com três aparelhos de ar-condicionado para enfrentar os verões quentes de Guarulhos e o ritmo intenso de uma casa movimentada, o consumo médio mensal desta residência chegava a 950 kWh mensais. As faturas da EDP Bandeirante chegavam salgadas — e continuavam subindo.
A decisão de migrar para energia solar própria foi natural. O desafio, porém, era menos simples do que parecia: o único telhado disponível para a instalação dos painéis tinha 16 placas para encaixar e apenas metade do espaço voltada para o norte, que é a face com maior aproveitamento solar no hemisfério sul. A outra metade — exatamente 8 painéis — precisou ser instalada na face voltada para o sul. Uma situação que, em sistemas convencionais de string, geraria perdas consideráveis de geração. Com a tecnologia certa, porém, o que parecia um empecilho virou um projeto de 9,44 kWp funcionando com excelência.
Ficha técnica do projeto
Confira as especificações técnicas completas do sistema fotovoltaico instalado no Parque Flamengo, Guarulhos:
O desafio: consumo elevado, pouco espaço e metade das placas apontando para o sul
A Região Metropolitana de São Paulo, onde Guarulhos está inserida, recebe uma irradiação solar média de 4,37 kWh/m²/dia de acordo com os dados do atlas disponibilizado pelo CRESESB. Para efeito comparativo, esse número está muito acima de países europeus como Alemanha (2,9 kWh/m²/dia) e Portugal (4,7 kWh/m²/dia) que são referências mundiais em instalações solares. O sol de Guarulhos, portanto, é um ativo real e valorizado.
A tarifa praticada pela distribuidora EDP Bandeirante na cidade gira em torno de R$ 0,88 por kWh, conforme regulamentação da ANEEL que supervisiona periodicamente as revisões tarifárias das concessões. Com consumo de 950 kWh mensais — impulsionado pelo calor dos verões e pelos três aparelhos de ar-condicionado —, a conta de energia era um peso mensal considerável.
O projeto de engenharia da Imperio Solar se deparou com uma limitação arquitetônica real: o telhado disponível era único e não havia alternativa de posicionamento. Das 16 placas projetadas, 8 precisaram ser fixadas na face sul do telhado cerâmico de concreto. Em um sistema convencional de inversores string, essa configuração seria um problema grave. Quando módulos de orientações opostas (norte e sul) são ligados em série no mesmo inversor, a corrente gerada pelo lado com menor exposição ao sol limita o desempenho de todo o grupo. É como espremer uma mangueira: a restrição em um ponto compromete o fluxo inteiro. Mas a solução adotada mudou completamente essa lógica.
Para entender como superar esse obstáculo, confira a Lei 14.300 que ampara tecnicamente o sistema de compensação de créditos energéticos que torna viável qualquer orientação de telhado no Brasil.
A solução: microinversores Hoymiles HMS-1800-4T e módulos bifaciais DM590M10T
A chave para transformar um telhado dividido entre norte e sul em uma usina eficiente foi o uso de projetos com microinversores.
A usina foi montada com 16 módulos bifaciais DM590M10T de 590W N-Type TopCon. A tecnologia bifacial destes painéis é importante especialmente para os módulos do lado sul: ao captar a luz difusa e o reflexo do céu pela face traseira além da radiação direta na frontal, eles compensam parte da perda de irradiação que a orientação sul naturalmente impõe. O N-Type TopCon assegura baixíssima degradação ao longo dos anos e excelente comportamento em dias de temperatura elevada.
Mas o grande diferencial do projeto foram os 4 microinversores Hoymiles HMS-1800-4T. Este modelo tem 4 entradas MPPT independentes, gerenciando cada painel individualmente. Isso significa que os 8 módulos da face norte e os 8 módulos da face sul operam em circuitos elétricos completamente separados, cada grupo no seu próprio ponto de máxima potência. O desempenho reduzido dos painéis sul não afeta absolutamente nada o rendimento dos painéis norte. São como duas usinas autônomas coexistindo na mesma cobertura.
O resultado prático: um sistema que, na teoria convencional seria penalizado por até 30% na geração dos painéis sul, na arquitetura com microinversores entrega geração otimizada em todos os 16 módulos — com o bonus de segurança operacional, já que toda a tensão contínua no telhado é de baixa voltagem (abaixo de 60V CC), minimizando riscos elétricos.
O detalhe técnico que faz diferença: voltado ao sul não é sinônimo de perda total
É comum ouvir de proprietários que telhados com face sul são inviáveis para energia solar. Isso é verdade num contexto de inversores string. A realidade com microinversores é diferente. Veja a comparação:
| Situação Real | Com Inversor String | Com Microinversor Hoymiles HMS |
|---|---|---|
| 8 placas ao norte, 8 ao sul | Módulos do mesmo grupo interferem uns nos outros – perda de até 30% | Cada painel opera independente – perdas apenas proporcionais à irradiação da face |
| Monitoramento individual | Impossível detectar problema em placa específica | Leitura individual de cada módulo pelo aplicativo |
| Expansão futura | Limita adição de mais painéis sem troca do inversor | Simples: adiciona microinversor e painel sem interferir no restante |
| Segurança patrimonial | Alta tensão contínua no telhado (até 1.000V CC) | Baixa tensão (< 60V CC) no telhado, muito mais seguro |
| Garantia do equipamento | 5 anos padrão | 12 a 25 anos (padrão Hoymiles) |
O que a EDP cobra e quanto a usina solar passa a economizar
A EDP Bandeirante pratica atualmente uma tarifa média de R$ 0,88 por kWh na região de Guarulhos, conforme parâmetros homologados pela ANEEL. Com geração média de 1.030 kWh mensais, os números financeiros do sistema solar são:
- Economia Mensal Gerada: 1.030 kWh × R$ 0,88 = R$ 906,40
- Economia Anual Acumulada: R$ 906,40 × 12 = R$ 10.876,80
- Investimento Total no Sistema: R$ 24.399,00 (financiável em parcelas via financiamento solar)
- Prazo de Amortização (Payback): R$ 24.399,00 ÷ R$ 10.876,80 = ~2,24 anos (cerca de 27 meses)
Após os primeiros 27 meses, a usina opera a custo zero por mais de duas décadas, e toda economia gerada vira ganho líquido mensal para o orçamento doméstico. Os créditos energéticos acumulados nos meses de maior geração são descontados nas faturas dos meses seguintes, conforme regulamentação do sistema de compensação.

Monitoramento digital: cada painel visível no celular
O diferencial do microinversor Hoymiles HMS-1800-4T vai além da geração. Com o aplicativo S-Miles Cloud, o proprietário acompanha em tempo real o desempenho individual de cada uma das 16 placas solares — tanto as do lado norte quanto as do lado sul.
Como Acompanhar a Geração do seu Sistema
Conheça os principais recursos do seu painel de monitoramento inteligente para gerenciar sua produção solar em tempo real.
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1
Barra de Navegação
Barra de navegação entre Painel de Controle, Layout, Dispositivos e Configurações.
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2
Produção em Tempo Real
Produção do sistema em tempo real em quilowatts (kW).
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3
Resumo do Desempenho
Resumo do desempenho do sistema.
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4
Status da Planta
Status da planta, que mostra o status do sistema e da rede.
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5
Informações do Sistema
Informações do sistema e pessoais.
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6
Relatório de Desempenho
Relatório de desempenho do sistema para vários períodos.
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7
Métricas Financeiras
Métricas financeiras e ambientais do sistema.
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8
Comparação Diária
Comparação da produção diária. Mostra a diferença na produção de um dia para o outro.
O histórico de geração mensal registrado pelo sistema confirma a performance regular e estável da usina, mesmo com a divisão das orientações do telhado.

Impacto ambiental concreto: Guarulhos com menos CO₂
A geração de 12.360 kWh por ano tem consequências ecológicas mensuráveis. Confira o impacto anual deste projeto na qualidade do ar e no meio ambiente:
🌱 Impacto Ecológico Anual do Projeto n2675
- 🚗 Mobilidade Sustentável: Os 12.360 kWh gerados anualmente seriam suficientes para um carro elétrico percorrer 74.160 km. Isso equivale a dar quase duas voltas completas ao redor da Terra na linha do Equador — ou fazer 25 viagens de ida e volta entre Guarulhos/SP e Belo Horizonte/MG!
- 🌳 Reflorestamento Equivalente: O carbono evitado anualmente corresponde ao sequestro ambiental de 42 árvores adultas nativas em crescimento por um ano inteiro.
- ☁️ CO₂ Deixado de Emitir: O sistema evita que 927 kg de gás carbônico (CO₂) sejam lançados na atmosfera da Região Metropolitana de São Paulo por ano.
Fato sustentável: Segundo a ABSOLAR, a geração distribuída residencial reduz a sobrecarga sobre a rede de distribuição local, aumentando a estabilidade de tensão nos horários de pico do bairro — ou seja, seu sistema solar não só economiza na sua conta, como também melhora o fornecimento de energia para os seus vizinhos.
Cronograma de instalação: 35 dias do início ao relógio girando a seu favor
A execução do projeto em telhado cerâmico de concreto com orientações duplas foi organizada com precisão em 35 dias de trabalho:
Diagnóstico Técnico e Mapeamento Solar do Telhado
Engenharia avalia a estrutura do telhado cerâmico de concreto, mapeia as áreas norte e sul disponíveis e define o posicionamento ótimo dos 16 módulos bifaciais.
Projeto de Engenharia e Entrada na EDP Bandeirante
Elaboração do diagrama elétrico unifilar levando em conta os dois grupos de painéis e protocolamento do processo de acesso perante a concessionária local.
Aprovação da EDP e Remessa dos Equipamentos
Parecer de acesso aprovado pela distribuidora EDP. Equipamentos — 16 módulos DM590M10T e 4 microinversores Hoymiles HMS-1800-4T — enviados para a residência no Parque Flamengo.
Montagem Física dos Dois Grupos de Painéis
Fixação dos ganchos estruturais nas vigas, assentamento dos trilhos de alumínio e encaixe dos 8 módulos norte e 8 módulos sul. Conexão dos microinversores Hoymiles HMS e do quadro de proteção elétrica.
Vistoria da EDP e Ativação Comercial
Inspeção técnica in loco pelos técnicos da distribuidora, troca física do relógio de medição por medidor bidirecional e início oficial da contagem de créditos elétricos.
Conclusão técnica do projeto
Esta usina fotovoltaica residencial de 9,44 kWp instalada no Parque Flamengo, Guarulhos/SP, representa um caso técnico de grande relevância: demonstra que a orientação sul do telhado, frequentemente citada como obstáculo intransponível para energia solar, pode ser neutralizada com o uso inteligente de microinversores com entradas MPPT independentes.
A combinação dos módulos bifaciais DM590M10T N-Type TopCon — que captam luz tanto pela face frontal quanto pelo reflexo na traseira — com os microinversores Hoymiles HMS-1800-4T, que isolam eletricamente cada painel em seu próprio ponto de máxima potência, resultou em uma planta de 9,44 kWp operando com eficiência real e previsível.
Com produção estimada de 12.360 kWh anuais e economia superior a R$ 10.870,00 por ano, o payback de 2,24 anos valida a viabilidade técnica e financeira da instalação, protegendo a residência contra os reajustes tarifários futuros da EDP Bandeirante.
Seu telhado também pode funcionar — mesmo voltado ao sul
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Perguntas frequentes sobre o projeto (FAQ)
Por que 8 painéis voltados para o sul não inviabilizam o projeto solar?
Em um sistema com inversor string convencional, painéis com orientações diferentes ligados em série se prejudicam mutuamente. No projeto cada módulo opera conectado a uma entrada MPPT individual do microinversor Hoymiles HMS-1800-4T. Os 8 painéis sul têm sua própria curva de operação otimizada, completamente independente dos 8 painéis norte. Isso elimina a interferência entre grupos e maximiza a geração de cada módulo individualmente.
O que são os módulos bifaciais DM590M10T e por que foram escolhidos para este projeto?
Os módulos bifaciais captam radiação solar tanto pela face frontal exposta ao sol quanto pela face traseira, que aproveita a luz refletida pelo próprio telhado e pelo ambiente. Para os painéis instalados no lado sul — que recebem radiação direta reduzida — a face traseira ajuda a compensar parte da diferença de geração, tornando o módulo bifacial especialmente vantajoso neste tipo de instalação.
Qual é o retorno financeiro real do projeto de 9,44 kWp no Parque Flamengo?
Com geração média de 1.030 kWh/mês e tarifa EDP Bandeirante de R$ 0,88/kWh, a economia mensal é de aproximadamente R$ 906,40 e a economia anual supera R$ 10.870,00. O investimento de R$ 24.399,00 tem payback estimado de 2,24 anos (cerca de 27 meses), com retorno financeiro líquido pelos próximos 20+ anos de vida útil do sistema.
A EDP Bandeirante aceita créditos de energia solar gerada em Guarulhos?
Sim. A EDP Bandeirante opera o sistema de compensação de energia regulamentado pela Resolução Normativa da ANEEL e agora respaldado pela Lei 14.300. Os excedentes de geração solar são injetados na rede local, transformados em créditos com validade de 60 meses, e descontados automaticamente nas próximas faturas mensais.
Quanto tempo levou para o sistema entrar em operação?
Do início do processo de engenharia e protocolo junto à EDP Bandeirante até a instalação física, vistoria in loco e troca do medidor bidirecional, o projeto foi concluído em 35 dias. A partir do acionamento comercial, o relógio de energia passou a contabilizar os créditos solares gerados diariamente.
